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Carnival for Residents of Rio Mental Institute (PHOTO, VIDEO)
10.02.2018 ás 15:57  por sputniknews

1,500 patients, staff and relatives of a Rio de Janeiro mental institute dressed in different costumes and staged their own version of the country's most celebrated festival.

Dozens of neighbors from the neighborhood of Engenho de Dentro joined the carnival, which is close to the stadium used in the 2016 Olympics.

"Carnival is part of my life. Our 'bloco' shows that we must overcome prejudice. Crazy people are also capable of being happy and having fun," Andre Poesia, a patient of the institute said.

"It is great to be among friends rather than shut inside," Goncalves, another patient, said.

The tradition of holding carnivals for patients dates back to 2001 when the staff of the institute changed an art-therapy into a "bloco," the name for the street gatherings that take place all over Rio during the carnival period.

"The goal was to get patients involved and to help the neighborhood revitalize its carnival, since the 'blocos' have all gone to the tourist zones," said Ariadne de Moura Mendes, who launched the project.

The mental institution has also changed its name to Da Silveira, in honor of one of the most famous psychiatrists in Brazil. Da Silveira radically changed mental health practices in the country; she scrapped violent treatments like lobotomy and focused on reintroducing patients back to society.

"Loucura suburbana" põe pacientes na folia e tem protesto contra Crivella
09.02.2018 ás 11:07 por AFP

Quanto mais loucos, mais rimos: esse provérbio foi tomado ao pé da letra pelos pacientes de uma instituição psiquiátrica no Rio de Janeiro, cujo cortejo de carnaval atraiu cerca de 1.500 foliões.

Com fantasias coloridas de tigre, arlequim ou pirata, cada uma mais criativa do que a outra, essa multidão atraiu na quinta-feira, véspera do início oficial do carnaval carioca, pacientes e suas famílias, cuidadores e simpatizantes de toda a cidade.

Sem contar as dezenas de moradores de Engenho de Dentro, zona norte do Rio. É neste bairro que se encontra o Instituto Municipal Nise da Silveira, anteriormente Centro Psiquiátrico Pedro II, fundado em 1911 e mais tarde rebatizado em homenagem à famosa psiquiatra.

Discípula de Carl Jung, Nise da Silveira, falecida em 1999, revolucionou o tratamento das doenças mentais no Brasil, humanizando os cuidados e abolindo práticas agressivas como a lobotomia.

Seus métodos para ressocializar pacientes ainda são aplicados hoje no instituto que tem seu nome.

Em 2001, uma oficina de arte-terapia para os pacientes acabou por se transformar em um bloco de carnaval. Seu nome: "Loucura suburbana".

"O objetivo era primeiro fazer os pacientes participarem, depois resgatar o carnaval do subúrbio,

que já foi muito tradicional, mas estava meio morto, com todos os blocos indo para a zona sul",

explica Ariadne de Moura Mendes, fundadora do bloco.

"Me sinto livre"

Antes de desfilar pelas ruas do bairro, os participantes se reuniram primeiro no pátio do instituto, todos fantasiados. Alguns em pernas de pau, outros com grandes estandartes de tecido decorado em cores vivas.

André Poesia, de 42 anos, esquenta a voz. Este paciente esquizofrênico é um dos cantores do grupo, cujo som é amplificado por alto-falantes instalados em uma caminhonete.

"O carnaval faz parte da minha vida, gosto muito de samba. O nosso bloco mostra que não há preconceito, o louco também é capaz de ser feliz, de se divertir", afirma sorridente com uma peruca rosa Mônica, igualmente esquizofrênica, espera impaciente o início do desfile. "Aqui, me sinto livre!", comemora essa mulher de 42 anos, com um tutu rosa, que para os transeuntes para presenteá-los com um beijo em meio a euforia.

Um pouco mais distante, vestindo uma camiseta verde florida, Silas Gonçalves toca bateria no grupo de percussão. "Estou aqui para me divertir, é ótimo encontrar amigos em vez de ficar trancado", diz o jovem de 52 anos, que trata vício em álcool e cocaína.

Para Ariadne de Moura Mendes, "graças ao carnaval, os pacientes deixam de se identificar em função dos preconceitos da sociedade, que os vê como pessoas perigosas, inúteis ou preguiçosas. Eles podem expressar-se livremente, são artistas de verdade".

O prefeito de diabo

Para o desfile do "Loucura Suburbana", os pacientes preparam o desfile ao longo do ano. Cada um encontra seu lugar, seja na oficina de percussão ou na confecção de fantasias.

Se um paciente do hospital ou um morador da vizinhança não tiver fantasia, pode pegar emprestada uma, das dezenas guardadas em um pequeno prédio que servia anteriormente de capela mortuária.

Ex-paciente do instituto para tratar uma depressão, Marcio Inácio, de 49 anos, foi responsável por esculpir um gigante boneco de poliestireno com a imagem do prefeito Marcelo Crivella, adornado com chifres vermelhos do diabo. Uma verdadeira afronta a este pastor evangélico, que foi fortemente criticado por sua relutância em relação ao carnaval.

Essa caricatura também é uma crítica aos cortes orçamentários que afetam os serviços de saúde, incluindo o bloco Loucura Suburbana, que, devido à falta de financiamento público, teve que arrecadar fundos na internet para desfilar.

Reportagem por Carnaval UOL

Imagem: AP Photo/Silvia Izquierdo 

Bloco Loucura Suburbana resgata carnaval do subúrbio carioca
08.02.18 às 20h11  por Jornal do Brasil

O bloco Loucura Suburbana saiu nesta quinta-feira (8) no bairro do Engenho de Dentro, zona norte do Rio de Janeiro, resgatando o carnaval de rua  e reunindo funcionários, pacientes e familiares do Instituto Municipal Nise da Silveira, além de moradores do local e adjacências.

A psicóloga Fabiane Dias, do Centro de Convivência e Cultura da instituição, disse à Agência Brasil que a iniciativa “ajuda os pacientes e também o território do entorno a ter outro olhar para a loucura, que deixa de ser um estigma. Isso é muito bom. A gente vê usuários, familiares, comunidade, todo mundo integrado”. Fabiane desfilou vestida de galinha, em alusão ao caminhão que passa pelas ruas do bairro vendendo 30 dúzias de ovos por R$ 10.

Para a psicóloga Ariadne Mendes, coordenadora do bloco, criado em 2011, o desfile do Loucura Suburbana é uma celebração do trabalho não só do Instituto Nise da Silveira, mas de toda a rede de saúde mental do estado. “É um encontro de pessoas que se conhecem e que não se conhecem. É um encontro da alegria e de orgulho de estarmos fazendo um carnaval do subúrbio carioca”.

Ariadne sublinhou que o bloco promove a inclusão pelo carnaval. “O carnaval já é um momento em que todo mundo se inclui. Não tem exclusão no carnaval, porque qualquer um pode sair de qualquer maneira, e isso tem a ver com o nosso espírito”. O tema do samba deste ano “Não ter vergonha de ser o que se é” foi sugerido pela porta-bandeira do bloco, Elizama Arnaud, que escolheu sair de 'drag queen' no desfile, para representar a liberdade de ser mulher, “mesmo não sendo, ou sendo, que é o caso dela”, destacou Ariadne.

Participação voluntária

A passista do bloco é Elizângela da Silva, que teve alta do Instituto Nise da Silveira e desde 2011 mora em uma residência terapêutica com outros pacientes psiquiátricos na Penha, também na zona norte, sob a supervisão do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Fernando Diniz.

Outro ex-paciente do instituto é André Cabral, que foi se tratar ali em 1998 e, depois, mesmo saindo para tratamento em outras unidades de saúde mental do Rio, não deixou de frequentar as atividades sociais e culturais do Nise da Silveira. Foi ficando cada vez mais ligado às atividades ao ponto de se tornar produtor cultural da editora EncantArte e compor três sambas vencedores do bloco.

Cabral trabalha como voluntário no instituto, “mas sem deixar de fazer uma terapiazinha nesse voluntariado. Minha ligação é muito estreita com o hospital”, disse à Agência Brasil. Este ano, ele venceu”, disse à Agência Brasil. Este ano, ele venceu o concurso de samba enredo do bloco Tá Pirando, Pirado, Pirou!, que desfilou pela Urca, zona sul da cidade, no último dia 4.

Sem Loucura não vai dar
7.2.2018 ás 17:21 por Aydano André Motta em Projeto #Colabora

Bloco criado no Instituto Nise da Silveira desfila suas lições de alegria e tolerância pelo 18º ano seguido

A insana sensatez chamada Carnaval espalha alegria pela cidade – e num canto muito especial da Zona Norte carioca, melhora o cotidiano de usuários, familiares e funcionários do Sistema de Saúde Mental do Rio. Nesta quinta-feira, vai passar, pelo 18º ano consecutivo, o Loucura Suburbana, bloco criado no Instituto Nise da Silveira, que virou bálsamo para usuários das unidades de tratamento psiquiátrico.

Dá gosto ver o ensaio da bateria Ensandecida ao longo do ano, com ritmistas garimpados nos Caps, os Centros de Atenção Psicossocial da prefeitura, reunidos no Instituto Municipal Nise da Silveira, no Engenho de Dentro –concentração e ponto de partida do bloco. Comove testemunhar a dedicação na construção de fantasias no barracão. Encanta, sobretudo, aferir o amor inegociável pelo Carnaval.

Elisama Carneiro Arnold sequer desvia os olhos do trabalho de adereços para sua fantasia de porta-bandeira. Há 25 anos no Nise da Silveira para cuidar de ansiedade e sonambulismo, ela assumiu a condução do pavilhão logo no segundo ano do bloco, com a gravidez da antecessora. Nunca mais deixou o cargo – como manda o DNA de alguém nascido na rua do Império Serrano – e, em 2018, desfilará de drag queen. “Precisamos quebrar os estereótipos, as correntes. Você é o que quiser ser”, defende ela, com discernimento admirável – demonstrado também ao apontar a porta-bandeira que mais admira: Vilma Nascimento, mito da Portela.

Além de empunhar a bandeira sob a guarda do mestre-sala Sidmar, ela, como vários outros usuários das unidades de saúde mental, atravessa o ano em meio à alegria colorida do material das fantasias – por lá, não se comete a insanidade de interromper a paixão pelo Carnaval. “O trabalho substitui o tratamento com remédio, médico etc”, ensina Juliana Grizolia, produtora do Ponto de Cultura Loucura Suburbana, o primeiro ligado à área de saúde mental no Rio. “Eles são protagonistas de tudo, viram outras pessoas”, alegra-se ela, relatando o progresso dos que tocam na bateria.

A parte musical fica a cargo de Abel Luiz, músico que desde 1993 desenvolve trabalhos no Nise da Silveira. Criado no bairro, ele começou frequentando as aulas de capoeira, e nunca mais se foi. “O bloco atirou no que viu e acertou no que não viu”, resume. “No início, era apenas algo comunitário, mas virou peça fundamental na ideia de quebrar cadeados”, explica ele, referindo-se à luta antimanicomial, corrente mais defendida no tratamento psiquiátrico atualmente.

O Loucura Suburbana ganhou, então, enredo permanente: a desconstrução dos manicômios sociais e culturais que a sociedade e seus preconceitos impõem aos usuários das unidades de saúde mental. “Passamos a aproveitar o melhor de cada um, respeitando as identidades”, relata Abel. “Importante é o ambiente que se cria, com gente diversa”, acrescenta o músico, que comanda os ensaios da bateria às terças e quintas.

Ele também coordena a escolha do samba, disputa acirrada que reúne candidatos de todos os Caps. Para 2018, 15 composições disputaram a final, na quinta 25 de janeiro, no Sambola, lendária casa de bambas na Piedade. Venceu “E por falar em mulher guerreira, salve Nise da Silveira!!”, de Angela Carvalho e Paulo Fernando – melhor, aliás, do que alguns hinos de 2018 na Sapucaí. Confira (com a letra):

“O Loucura vai passar

Com seu jeito carioca

Trazendo muita alegria e simpatia

Pelas ruas da cidade

E expressar minha humanidade

É preciso resistir

Quebrem os cadeados

Viva a liberdade!

De mulher e de louco

Todos nós temos um pouco

Refazer, resistir e recriar

Sem Loucura não vai dar

E por falar em mulher guerreira

Salve Nise da Silveira

Com loucura no coração

Fazia arte com emoção”

Acima de todos os protocolos carnavalescos, a maior prova da sanidade do Loucura Suburbana está na construção de tudo em sistema de inegociável parceria, com usuários, parentes, funcionários e vizinhos que participam do babado trocam experiências sem hierarquia. Ninguém dá ordem, é tudo dividido. “Acaba que nós, funcionários, e a população em geral nos beneficiamos de maneira semelhante aos usuários”, atesta Ariadne de Moura Mendes, coordenadora e integrante da Velha Guarda do bloco. “É uma nova era da psiquiatria, completamente diferente daquele cenário ‘médico/paciente’ adotado durante tanto tempo”, acrescenta.

Uma consequência especialmente valiosa está na demolição dos preconceitos. Muitos vizinhos do Nise da Silveira entendiam os usuários da instituição como preguiçosos, gente largada e assustadora. Ao se aproximarem pela via do bloco, encontraram irreverência, parceria, amizade – e aprenderam a lidar com males da cabeça, como esquizofrenia e depressão. “Passaram a entender que não são defeitos, mas diferenças. O conceito se transformou”, confirma Ariadne. “Não tem dono do saber. Aqui todo mundo é louco”, arremata ela, avisando que, para o desfile pelas ruas do Engenho de Dentro, há oferta de maquiagem e fantasias gratuitas aos foliões.

Tem de ser muito ruim da cabeça para perder esse bafafá.

© 2013 by Roberto Raphael P. de Oliveira

© 2018 by Thais T Cardoso